Realidade Open-Source e bodas de porcelana

Hoje lá vai um post, não técnico, mas sim uma reflexão, dos meus 20 anos como profissional de TI, 20 anos de uma cumplicidade com os bits e bytes.

Desde que iniciei a trabalhar, como instrutor em pequeno curso de informática (a dar aulas de Visual Basic), tinha duas certezas, que aquele pequeno passo seria o início da minha caminhada, e que a informática iria mudar completamente a sociedade e forma rápida, ao criar soluções disruptivas.

Vi as revoluções das linguagens de programação orientadas a objetos, da disseminação de redes corporativas, o crescimento da internet, a descentralização dos sistemas, a centralização dos sistemas, o surgimento dos smartphones, redes sociais, bem vou parar por aqui, estou mesmo a ficar velho 🙂 até me doem as articulações.

Recordo-me, e com alguma frequência, dos meus amigos de escola, das nossas conversas “estranhas” aos intervalos das aulas, ou mesmo em encontros fora da escola, onde discutíamos códigos QBasic, tenebrosos códigos de Assembler, de estarmos a converter músicas em mp3, das piratarias para conseguirmos acessos a Internet (na época com ligação discada).

Como nossos pais não entendiam a necessidade de ter acesso, não pagavam os preços que a provedoras cobravam para termos acesso a míseras ligações de 14kbs ou 56kbs, e hoje vejo jovens chateados com acessos 4G, 5G, 200Mbs :-). Mas a evolução é mesmo assim, não há como parar. Como todo adolescente, realizávamos nos façanhas :-), tendo como palco, o mundo digital. Nada melhor do que os ataques flood no épico mIRC para passar o tempo em uma tarde chuvosa.

Eu, o Xande e o Shadow, carinhosos nicks dos meus amigos, dedicávamos algum tempo com estes temas e a volta de overclockings e upgrades de máquinas. Comportamento, que talvez era diferente para época. Eu sentia-me livre com meu Compaq Presario que tinha no quarto, com a alma de um SO chamado de Tabworks. Tal como este:

Ainda lembro-me, de utilizarmos as primitivas versões de Linux Conectiva :-), entendíamos as ideias de Richard Stallman. A evolução que toda a informática proporciona, deveria ser de certa forma, livre. A maioria dos homens mais ricos de hoje, estão ligadas a tecnologia. E isso é um fato comum da sociedade, do capitalismo, da oferta e demanda.

O open-source, nada mais é, que um movimento, que tem como cultura base, o intelecto, a força de vontade de mudar e da transparência. Atualmente, é comum o discurso de comprar licenças a um fornecedor, “como forma de proteção” em situações de problemas. Apesar de entender (ou pelo menos tentar hahha), pagar licenças nada mais é do que delegar responsabilidades (principalmente quando não se tem capacidade e vontade de ter) em outros.

As tecnologias de Big Data, vejo como uma volta ao espírito revolucionário da época em que iniciei meu percurso, onde o que importava era os bit e bytes, o que importava era agregar valor, sem olhar para o fornecedor X ou Y, e principalmente, o que importava era INOVAR. Este é real espírito de liberdade, de comprometimento em fazer acontecer que está por de trás do open-source, está na sua origem.

O software livre é uma questão de liberdade, não de preço – Richard Stallman

Ainda bem que a vida é de ciclos! Pois reencontrar nós mesmos é sempre construtivo.

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